Até meados do século passado, sabia-se que a doença era o resultado de uma desarmonia entre o homem e o seu meio ambiente, a natureza. Depois do advento da era microbiana, com Pasteur e Koch, esse modo de pensar mudou. Já se podia culpar um determinado germe por causar uma doença. Imaginou-se então que todas as doenças deveriam ser provocadas por um bichinho invisível. Apesar de toda a oposição sofrida por Pasteur e suas teorias revolucionárias — Pierre Pochet, então professor de fisiologia de Tolouse, em 1872, chegou a afirmar que a teoria dos germes de Louis Pasteur era "uma ficção ridícula" — a teoria microbiana firmou-se e acabou dominando toda a doutrina médica, a tal ponto que hoje não se entende mais a relação do ser humano com seu meio ambiente. Tudo pode ser e é tratado com drogas e cirurgias. Esqueceu-se completamente que o ser vivo interage com a natureza.
A medicina enveredou por um caminho obscuro, organicista e tecnicista, desligado das leis naturais. O médico, outrora um sacerdote, transformou-se num profissional, um técnico duro e frio manipulado por interesses ligados ao lucro, fazendo parte de um complexo mecanismo, cujo objetivo é a perpetuação das doenças. Com a despersonalização do médico e a intromissão dos trustes econômicos no comércio da doença, a medicina tornou-se quantitativa e adoeceu. Como diz o professor Jaime Landmann: "As indústrias médicas nascidas do progresso científico, a gestão hospitalar irracional, a intervenção das multinacionais na indústria farmacêutica mundial e as doenças transformadas em mercadoria são mecanismos que contribuem para fabricar doentes numa sociedade de consumo."






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